Conversa de bêbado
Hoje à noite, no Jota, foi como sempre - pena que só teve a sinuca e a cerveja (nem o amendoim com casca). Mas aconteceu alguma coisa que valhe a pena ser contada. Aliás, parece que toda noitada, por mais fraca que seja, acaba rendendo algo inusitado. Um cara vindo da rua chegou na nossa mesa (estávamos os quatro daqui, fora o Fernando). Sujeito cabelo rasta, brinco primitivo e camiseta regata verde; todo o visual de hippie-do-Calçadão. Perguntou direto pro Renato: "Onde é que vocês estavam?". Parei de beber pra olhar pro cara. Por que é que ele queria saber onde é que a gente estava? Ninguém o conhecia. Ele insistiu: "onde é que vocês tavam?". "Aqui", o Renato respondeu. "Mas tão vindo daonde?". Demorou um pouco e eu e o Renato respondemos juntos: "de casa". O cara olha, em dúvida: "de casa?". Parece que tá com raiva. E diz: "Me pegaram e bateram ali atrás da banca e eu não sei quem foi", e cutuca meu ombro com o dedo, com força: queria saber se tinha sido a gente. Passa a mão em alguma coisa por baixo da camiseta, na altura da cintura. E sai andando enfezado pro meio da noite. Depois de caminhar alguns metros grita de longe: "as água vão rolar proceis". Depois o Renato disse ter notado que ele estava todo esfolado. E eu fiquei pensando: afinal, por que é que deram uma surra no cara?
Hoje à noite, no Jota, foi como sempre - pena que só teve a sinuca e a cerveja (nem o amendoim com casca). Mas aconteceu alguma coisa que valhe a pena ser contada. Aliás, parece que toda noitada, por mais fraca que seja, acaba rendendo algo inusitado. Um cara vindo da rua chegou na nossa mesa (estávamos os quatro daqui, fora o Fernando). Sujeito cabelo rasta, brinco primitivo e camiseta regata verde; todo o visual de hippie-do-Calçadão. Perguntou direto pro Renato: "Onde é que vocês estavam?". Parei de beber pra olhar pro cara. Por que é que ele queria saber onde é que a gente estava? Ninguém o conhecia. Ele insistiu: "onde é que vocês tavam?". "Aqui", o Renato respondeu. "Mas tão vindo daonde?". Demorou um pouco e eu e o Renato respondemos juntos: "de casa". O cara olha, em dúvida: "de casa?". Parece que tá com raiva. E diz: "Me pegaram e bateram ali atrás da banca e eu não sei quem foi", e cutuca meu ombro com o dedo, com força: queria saber se tinha sido a gente. Passa a mão em alguma coisa por baixo da camiseta, na altura da cintura. E sai andando enfezado pro meio da noite. Depois de caminhar alguns metros grita de longe: "as água vão rolar proceis". Depois o Renato disse ter notado que ele estava todo esfolado. E eu fiquei pensando: afinal, por que é que deram uma surra no cara?
