Ontem de madrugada eu dei de acordar as pombas da minha rua. Peguei a chave de casa, joguei pro alto e fui pro porto esperar Dom Sebastião. Fiquei atirando pedra na copa escura das duas e quinze até quinze pras três, sem a menor idéia de direção - espantando passáro aos milhares. Duas vezes eu ouvi o tilintar do metal. Hoje, às sete, desci lá e nada, mas ao meio-dia, depois do cursinho, a chave estava brilhando no meio da rua: o chaveiro destroçado, uma chave quebrada, duas tortas e arranhadas, ainda que funcionais, no meio de argolas retorcidas pelo sol e pela compressão dos carros no asfalto quente.