dezembro 13, 2003

Mau humor
- Tem aquele negócio de "aprender com os erros". No meu caso eu canso de fazer cagada e acho que não aprendo porra nenhuma. O único "progresso", se dá pra chamar assim, é que eu erro cada vez com mais consistência. Continuo errando, mas com erros mais evoluídos.
- Afinal, qual é o segredo pra segurar o riso na boca durante a noite toda? É a droga mesmo?
- Chega uma hora da balada em que o que eu realmente queria era ser um "cara legal".
- O Acaso às vezes junta pessoas totalmente estranhas, diferentes, incompatíveis. E depois o Tempo acaba tendo um trabalho do caralho pra conseguir separar.

dezembro 12, 2003

apesar de realmente não me recordar os detalhes daquela agradável noite de sexta feira, existem algumas coisas que eu sei que por princípio eu não diria, sob qualquer circunstâcia, portanto venho por meio deste espressar meus mais profundos sentimentos de afeição por qualquer pessoa que possa, porventura, se sentido atingida por este mal entendido.
Bom humor
O que rolou na festa-confraternização do terceiro. Balada de boa, vinho de 5 litros, cerveja não muito gelada, bolinhas de isopor espalhadas pela sala inteira, bolha no dedo de tanto castigar o mi-lá-ré; algumas indiretas e algumas revelações - eu mesmo "pesquei", ao vivo ou por tabela, no burburinho do ambiente, umas duas ou três. Gente dançando o funk e chegava uma hora que as meninas partiam embora pra casa dos respectivos. Coisa estranha. O álcool acabou (acabara) não era nem uma da manhã. E quando eu entrei na cozinha naquela hora, um pouco depois dos caras comerem a ração do gato, eu ouvi um "psiu!". Olhei pros lados pra ver se era o gato reclamando, mas o barulho vinha de cima. "Psiu!" de novo. Vi, em cima do armário da cozinha, que o presidente piscava pra mim. Fui dizer pra dona que o conhaque dela tava pedindo pra descer. E teve gente que misturou no refrigerante. Gente estranha. Foi depois do destilado que a coisa pegou (pouco, mas pegou). Tudo muito subliminar, muito nas entrelinhas - fora uns funkeiros animados. Daí quase todo mundo foi embora e só ficamos nós daqui (menos o Renato, que largou a sala no primeiro) e a dona da casa e a Audrey. Na festa, tudo correu fácil, as conversas, os sorrisos, a dança, o Daniel até levou o filho de três meses. A única dificuldade foi acordar o Bruno pra ir embora. Queria ficar naquele sofá mesmo. Uns quinze minutos de esforço pra conseguir que ele levantasse, e levantou com o ódio estampado na retina. No dia seguinte teve gente que confessou ter ficado com medo daquele olhar diabólico, vermelho. Ficou mudo, só abriu a boca uma vez. Eu não lembrava, mas disseram que, antes de entrar no elevador, ainda com os olhos esbugalhados, o cabelo cheio de bolinhas, punhos cerrados, ele disse "entredentes" pra si mesmo: "É tudo um bando de fi-lhos da pu-ta. Tô começando a odiar to-dos".
Coisa que eu acho estranho é casa sem livros.

dezembro 10, 2003

Felicidades de um minuto, de um dia, de uma semana
Quase cinco da manhã. Um cara sossegado - em pé, ombro esquerdo na coluna de madeira e os olhos (baixos) no pessoal que sobrava no bar - esperando a noite morrer. E quando essa noite fosse enterrada, ele já tinha decidido, iria escrever na lápide: "aqui jazz uma noite divertida". Enquanto refletia sobre o sentido da vida chegaram os três, desconhecidos, e fizeram a roda em torno dele. Começaram a conversar como se ele fosse da turma, como se todos tivessem chegado juntos ao bar. Duas moças e um cara. Desconhecidos. Ficou meio ressabiado - não muito, na verdade ressabiado na medida em que a bebedeira permitia. Aí uma das moças o enlaçou pelo pescoço e o puxou pra trás, encarando, andando de costas, devagar, em direção ao meio do bar. "Sabe a impressão de que você está conversando com alguém cego e surdo...", ela lhe perguntou, agora a boca bem perto da orelha dele. É comigo?, ele pensou, mas não conseguiu decifrar a metáfora. Só disse "ãh?", e ela repetiu: "Sabe a impressão etc". Cego e surdo? Ela já tinha tentado falar com ele antes? Ou os olhos perdidos tinham deixado de notar os dela? Ela: "... é assim que eu me sinto em relação à Ariadne". Depois de uns três segundos de estranhamento ele se ligou: o quadro. Apesar da última caipira (que tinha ganhado de presente), ainda tinha memória referente. Torcendo o pescoço, virou o rosto pra trás e leu o texto impresso na gravura pendurada perto do teto, ali, como um teleprompter. Ela: "adoro esse quadro". E ele tentou dizer alguma coisa mas se enrolou todo.

Estou vendo que jazz e noites divertidas (e agradáveis) têm muito a ver.
Reprise de Férias
"'Deixa eu limpar o meu óculos aqui'. Nao esperou a resposta pra puxar a barra da minha camiseta. 'Algodão', me explicou, enquanto já esfregava o pano nas lentes, uma de cada vez (primeiro a esquerda). Eu: "Altas essas cadeiras de balcão", e olhei em volta, fingi de desinteressado. Mas olhava os dedos dela se mexendo, manipulavam minha roupa e os óculos dela - em cima da coxa. Coisa muito íntima a roupa - pra moça ficar usando sem autorização. Depois disso, pensei, "somos íntimos" - "não dá pra voltar atras". Mas no fundo, no fundo, eu mesmo, sempre lento pra sacar essas coisas, tinha percebido o sinal verde. Um pouco mais claro do que a camisa que eu tinha aos 15 - mas muito, muito mais brilhante." (20.7.03, in blog desconhecido).

dezembro 08, 2003

esperto foi aquele cara que se separou da mulher porque estava faltando um jogador no time dos solteiros.