abril 23, 2004

Quelle âme aveugle peut comprendre les amoureux?
Pouvez vouz?
Quel poète peut expliquer la folie ?
Moi, je ne peux pas.

abril 22, 2004

Reflexo
Eu - u3
VocE - 3)oV
ELA - A _|3
OnTEM - M3TnO
Andirá, 1983

abril 21, 2004

- I -

Bar, inverno, frio, meia-noite, conhaque. Eu: "Tudo à merda?", ela (confirmando): "mandar tudo à merda". Assim mesmo, sem ponto de exclamação. Indignação letárgica, saca? Mas é difícil mandar tudo à puta-que-pariu quando o coração tá quente. Por isso eu não concordei (intimamente) com ela na mesma hora. Enquanto ela passava em frente à mesa como um gato pequeno atrás de uma bola. Em flashes, de um lado pro outro do bar, sem parar. Eu me imaginava com uma daquelas espingardas de pressão, de estande de tiro ao pato, e ela como um dos alvos móveis. De cá pra lá, de lá pra cá, daqui pra ali. Um tiro só, certeiro, pra derrubá-la de uma vez, pega no vôo entre uma mesa e outra. Só assim pra ela parar e pra parar a minha aflição. Abordagem drástica. Minha voz era fraca demais pra pará-la só com o som. De cá pra lá, de lá pra cá, daqui pra ali - minha cabeça dói.
- II -

"Fora isso, tudo bem", ela completou, chamando a atenção de novo. Desviei os olhos um pouco dela (que sumira pela décima terceira vez de vista) e me virei pra conversar. Dimitri. Meu nome, Dimitri Askov, avô russo, mãe mineira. "Você passou mal naquela noite", isso já era outra, no balcão. Vomitar é uma coisa que eu não fazia faz tempo. E ela passava a cinco centímetros, dava pra sentir o calor do ombro, os olhos exageradamente fixos no infinito, passo apressado pra chegar aonde? Meus olhos estavam cansando só de olhar o pique. E na minha cabeça zunia um barulho que na hora pareceu que sempre tinha estado lá, lá, lá, lá.
- III -

Eu: "Uma colônia de férias", ela: "quê?", eu: "...lembrei de uma colônia de férias que eu freqüentei quando tinha uns nove-dez anos. Fazia muito, muito tempo que eu não lembrava disso. Era na mesma faculdade que hoje eu freqüento", ela: não disse nada. Eu: "acho que certas lembranças são despertadas quando a gente tem, hoje, exatamente os mesmos sentimentos e sensações que a gente teve na época", eu: "pois é, tipo no jogo de memória, vira uma carta e lembra onde está o par dela", ela: "faz sentido", mas continuava querendo mandar tudo à merda.
- IV -

Enquanto ela já estava na outra ponta do bar, a via pequena, se movendo no canto. Me imaginei com um laço, comprido, ou melhor, um daqueles rifles com tranqüilizantes pra amansar onça. Um tiro só, certeiro, os olhos dela iam ficando pequenos, os braços paravam de se mexer rápido, a boca abria num bocejo e ela sentava na cadeira. Cinco minutos parada, só isso. "Mas quem eu tô querendo enganar?", ela me disse, "você sabe que ele não quer", eu: "pode ser", mas quem eu tava querendo enganar? Cinco minutos eram pouco ou nada. O tempo de mais um cigarro.
Cartilha
- "Vo-vó viu a u-va?", viu mesmo, vovó?
- Ih, Bia, isso já faz tanto tempo...
- "I-vo viu vo-vó", quem é Ivo?
(dois segundos de silêncio)
- Ivo?! Que Ivo? Ivo! Nunca ouvi falar de nenhum Ivo!
- "O vo-vô viu Ivo"...
- Isso é mentira! O vovô nunca viu Ivo! Ivo era muito discreto...

abril 20, 2004

agora eu voltei do Daime..... o que também é muito importante....

abril 19, 2004

Flying Sunday
A alegria é branca.
Teus olhos são castanhos?