outubro 04, 2003

Na sexta-feira me aconteceu um dos negócios mais engraçados de todos os tempos. Um pessoal estávamos fumando lá atrás do prédio de moda, aí deu nove e quarenta e a gente resolveu entrar na aula, que começa 9 e 15. No meio do caminho a maconha e a falta do R.U. começaram a fazer efeito e a única opção era o Bruno pagar uma paçoca pra mim na tia da cantina, que eu logo já tratei de convencê-lo. O miserável ia dividir comigo uma paçoca que custa 20 centavos! Mas aí na hora a vontade de comer falou mais alto e ele comprou uma pra cada, e só pagou 30, vejam bem. A tia já estava com as coisas prontas pra ir embora, tudo fechado, não tinha ninguém mais lá, mas mesmo assim a gente foi pedir a paçoca. Aí então ela soltou a pochete que ela leva o dinheiro do dia pra pegar a chave e a deixou em cima do balcão. Nisso a gente comprou a paçoca e tudo bem. Quando nós estávamos saindo, eu olhei pra trás e pensei "Ha! o Bruno tá esquecendo a pochete dele (na verdade quem ainda usa pochete é outro membro daqui), vou lhe dar um susto". Voltei e peguei a pochete da tia como se fosse a coisa mais normal do mundo, tentando escondê-la pro Bruno não olhar. Falei: enfia na sua bolsa, Luis, é do Bruno, é do Bruno, ele esqueceu ali em cima. E entramos na aula. Menos o Bruno, que ficou conversando lá fora. Sentei na cadeira ainda sorrido e passou um, dois minutos mais ou menos e eu fiquei branco! Me toquei que era da tia, e não do Bruno. Imaginem a cara que eu fiz e tudo que se passou pela minha cabeça nesse momento. Foi como... Sabe esses momentos mágicos, intensos de vida - menos vai, tipo um insight -, tal aquele que se diz "em segundos toda sua vida passou em sua mente". Não que merda alguma passou por mim, ou nada parecido, mas foi um momento dessa natureza. Ah, então. Eu falei assustado pro Luis é da tia, é da tia, devolve lá, hehehe, e ele eu não, vai devolver você. Peguei na hora a pochete e nesse mesma hora entra o Bruno e mais alguém, támbem com uma cara, me procurando, foi só olhá-los que eu falei já sei, já sei, nem precisaram dizer nada. Fui até o Bruno e falei, de novo, devolve lá, hahaha, e ele não, não, vai você. Fui em direção da tia com o maior sorriso amarelo na cara e já me desculpando a muitos metros antes de chegar, no fundo ela nem ouviu nada. Só sorriu e agradeceu. Puta, que foda! Aí eu voltei pra sala e não conseguia segurar o riso por um bom tempo. E o Bruno me contando. "Nossa, que foda, ela me perguntando da bolsa e eu sem ter o que responder". Foi muito engraçado. E se a gente resolve matar aula, ir embora? Foda. Mas mais que se ela entendeu alguma coisa que aconteceu lá, a grande dúvida foi: será que ela conferiu o dinheiro?
E olha só o Bruno se apossando da minha perspicácia. O professor tava contando um caso de uma mulher que perdeu totalmente a noção do próprio corpo e não conseguia mais fazer nada. Sozinha ela desmontava como uma marionete deixada de lado. Aí ele falou que ela só conseguiu voltar a obter a sensação do corpo e controlá-lo quando olhava pra ele, ex.: pra andar ela tinha que olhar pra cada perna. Aí, na hora, eu falei pro Bruno: "Olha que enganação. E o pescoço, como ela mexia sem olhar?". E o usurpador foi láe fez esse comentário pra todos na sala. Não que eu duvide dessa disfunção - o ser humano é tão cheio de defeito que o mais perfeito dos Criadores, o Gepeto, deve ser o número um da lista de reclamações do Procon -, mas como ela mexe o pescoço sem olhá-lo? Fora que só olhar não dá de maneira alguma a dimensão completa de todos os músculos que envolvem o ato de caminhar. História mal contada, essa.
O professor Beto conseguiu ganhar de todos disparado. Ele é uma mistura de Milhouse e Martin com uma generosa parte de Ralph. Tentem visualizar uma foto da adolescência de um tipo desse. Ele devia ser igual a esses adolescentes extremamente nerds que fazem piadinhas entre si com conotação sexual, mas através de linguagem de computador que só eles entendem. Tipo "essa mulher tem muita memória ram", e depois dão uma risadinha e trocam um olhar de cumplicidade. Claro que a piada deles é mais refinada que isso que eu escrevi, já que geralmente eles têm conhecimentos excepcionais de informática, nunca ia ser essa coisa tosca. E a aula dele é o curso mais completo de inutilogia que eu já presenciei, nada presta! Tudo que não tem a mínima importância e não merece ser estudado, ou é óbvio demais, é extensamente detalhado nessa disciplina. É como se fosse um grupo de pesquisa estudando a gênese circense e o declínio do palhaço nos tempos modernos e suas consequências sociais, culturais e sexuais na crise existencial do ser humano, direcionado à comunicação social. Estudando a história do palhaço, suas várias fases, tudo. O problema é que até isso que eu acabei de inventar agora parece muito mais útil do que é passado naquela aula, nem esse exemplo ilustra bem o grau de irrelevância do que ele ensina. Agora imaginem pesquisadores atuando nisso - e o pior, se levando a sério! -, publicando trabalhos nos respectivos centros, recebendo verbas das universidades e os milhares de pequenos núcleos de pesquisa dessa espécie espalhados por aí. Olha o desperdício de dinheiro público, milhões, bilhões.

Outra imagem muito interessante de um outro professor, o Tavares. Imaginem que o Sérgio Mallandro foi reprimido pela família autoritária e forçado a abandonar o futuro de comediante e acabou seguindo a carreira de bancário, virando um homem triste, carrancudo e frustrado. Esse aí tem uma trajetória um pouco parecida com a do Krusty. Nada o define melhor.
BALADA SEM PINGA ACABA TRANQÜILA ÀS CINCO E MEIA DA MANHÃ
Com o fim anunciado, bar Valentino dá sinais de decadência com noitadas mornas



Sexta-feira light. Não lembrei de uma palavra melhor pra descrever a noite de oitem. Logo depois da aula teve Bar Brasil, divertido, algumas antárticas, conversas dispersas sobre músicas e bandas daqui e sobre bateristas difícies de achar. Depois Valentino estranho, só passar lá e subir pro Jota. Sono no Jota, sinuca no Jota, gente conhecida no Jota. Ficamos ali bem mais do que a gente tinha planejado, não bebi mais nada e a empolgação da noite acabou. A gente desceu de novo, ruim. Partimos pra festa na república, isso já eram quatro horas, e o Renatão convenceu os dois seguranças parrudos da porta a deixarem a gente entrar sem pagar, pra "dar uma olhada e ver como tava". Tava fraco. De volta no Valentino, última passada, bater no fundo e ir embora.

Daqui a pouco vou no casamento de um amigo do colegial. Já tenho programa até pelo menos o começo da noite de sábado - dia historicamente complicado pra conseguir uma noitada boa.

outubro 02, 2003

acabei de voltar no tempo, primeiro eram 20:22, depois viraram 20:16.esses computadores do LAIC são foda mesmo...
daqui a uma hora eu não serei mais o mesmo. estou aqui na UEL e vou tomar chá de cogumelos com a galera, e esperar o por do sol. espero que de tudo certo. as pessoas deveriam fazer mais destas coisas...
preciso de uma maldita pauta!

outubro 01, 2003

Ontem tomei Daime de novo. É estranho porque eu já não sei bem quantas vezes eu tomei, e mesmo assim, cada uma é mais forte que a outra. Dessa vez, uma das coisas que foi mais interessante foi o momento em que eu me conectei com a natureza. Isso mesmo, tinha um lago, e eu era aquele lago, tinha grama, e aquela grama era o meu pé eu era a natureza e a natureza era eu. Isso fora aquele céu do caralho que tava em sima da minha cabeça.

setembro 30, 2003

Quinta-feira, na primeira aula, é o professor quem faz piadas e conta histórias sobre a infância. Na segunda aula tem Assessoria de Imprensa. O que é assessoria de imprensa? Não, não tem muito a ver com jornalismo - tem a ver mais com Assessoria. É, tipo assim (...) mais>>>