agosto 11, 2004

Trois poèmes détournés pour moi

Conheço a visão e o sonho,
Conheço os jovens boêmios,
Conheço os grandes de França,
Conheço tudo, fora a mim mesmo.

~

Ele a encontrou.
O quê? A Eternidade.
Fernando é um só
Com o sol.

~

Quando o prosaico desafiou a humanidade,
F. V. se revoltou orgulhoso;
Pois o velho Zé-Ninguém no céu
Peidou, arrotou e tossiu;
Depois soltou uma grande blasfêmia que fez a terra tremer,
E chamou o pueril V. aos berros.
V. estava se aliviando
Em Itapiriçá sob os choupos.
Então ele se levantou do assento
E girou três vezes três voltas.
A esta visão a lua tornou-se carmesim,
As estrelas explodiram e desapareceram...

agosto 09, 2004

Silhuetas
Tava lendo a tradução espanhola do "Livro das Sombras". Não confundir com o "Livro das Sombras" (sombras com acepção de espírito) egípcio, que era calcado na religião. Esse que eu li é bem mais "recente", do final do século XVIII, na Hungria. Se bem que, como diz a contracapa, é praticamente uma compilação que junta textos escritos desde a Idade Média, em toda aquela região da Europa Oriental. Olha um trecho do capítulo XI "De como se esconde a falta de sombra e sobre a metamorfose" (a tradução do espanhol é 'livre'):

"Pois que a sombra, elemento de coerção moral, exerce a influência derivada tradicionalmente, como é óbvio, da força vital do sol. Acreditava-se que pessoas amaldiçoadas perdiam a sombra, daí guardarem-se em casa durante o dia e só saírem à noite, ou as chamadas gentes do meio-dia. Conta-se da cidade de Higödgia, que no século XVI via suas ruas encherem-se de pessoas justamente ao meio-dia, quando o sol está exatamente perpendicular e não se produzem sombras. De manhã e à tarde eram poucos os pios que transitavam pelas passarelas. Chamava-se Higödgia da Ljubica do Norte, em referência ao conhecido episódio passado naquela cidade, quando dois quintos da população adulta teria caído em desgraça por causa de práticas adúlteras. Na mesma tradição se inspirou Aschternazy, para escrever seu "Equinócio". Mas, no livro, são as próprias sombras que perambulam na forma humana durante a noite. Enquanto o sol se põe, as sombras se vão esticando até se desprenderem totalmente, transformando-se naquelas pessoas que só são vistas à noite. Todas guiadas por uma aparente retidão moral, a censurar os que se excedem na orgia e a acompanhar até em casa os ébrios exagerados. Mas, ao contrário de anjos da guarda, elas não velam, só acompanham."
Parabéns, Renatão.
Antes tarde... & Cia.
O começo foi uma bobagem. Mas depois que a coisa descambou pro pessoal eu devia ter ficado do lado do Fernando no "episódio imbecil". Na verdade eu sempre estive, mas não cheguei a me manifestar. Tava querendo evitar mais encheção de saco - mesmo porque eu não tinha nada (nada, só pra frisar) a ver com a história. Mas a gente não pode ficar alheio a vida toda.
merda
- Agora é sério, o lirismo acabou mesmo. A moça ali comprou o último.
- Porra, seu Zé, o senhor tinha prometido que ia guardar um pra mim.
- Olha, rapaz, você não tem mais idade pra isso. Vai procurar alguma coisa pra fazer, um serviço voluntário, uma ong ambiental. Esquece essas bobagens.
- Mas...
- E tem outra, não quero mais você por aqui. Faz dias que tô querendo dizer isso, mas fiquei quieto por causa das meninas. Não volta mais aqui não.
- Como assim...
- É isso, não tenho mais nada pra dizer. Esquece aqueles sessenta centavos da pinga mas vai embora. E se passar por aqui não cumprimenta.

Chuta, chuta, chuta, pedrinha de calçada. Quebra graveto com o pé, espalha poeira no ar. Corre, corre, corre, não vê o carro passar. Teus pés tão quebrados na esquina, o cimento esfola a tua pele, a rua já não te quer. O asfalto dessa cidade virou frigideira, te fritando no óleo do tempo. Um instante pra te espirrar. Cem graus vão te pelar, queimar teus braços de novo. Mas nada de bolo no forno, nem leite fervendo pra fora. É você quem vai saltar. Chove, chove, chove, tachinha pra te furar, cegar teu olho inquieto, mandar você passear. O sol te virou a cara, mostrou a bunda amarela. O cachorro passou sem latir, um gato lambeu teu salgado, a vida te chama de "tio". Zoeira de beira de estrada. Foge, foge, foge, vai ver o burro pastar. Cheirar a sujeira da vaca, bem longe da Serra do Mar. E leva um estepe pro carro, porque um pneu vai furar. Ah vai.

agosto 08, 2004


"Aqui passa o Globo Esporte, sim. Mas é que o SBT pega melhor."

"de novo a mesma piada, porra!": galinha d'angola, um segundo antes da fatalidade