Limites
E o Lula, hein? Quem diria que ele fosse mudar de orientação política tão rápido e tão radicalmente. Pelo menos isso é o que o senso comum tem dito - seja no boca-a-boca das ruas, seja nas colunas e matérias opinativas da imprensa. Mas há quem fale que não foi surpresa nenhuma a dita "guinada" do Partido dos Trabalhadores à direita. Que o Lula e o núcleo duro da sigla nunca foram de fato socialistas ou, como gostam outros, revolucionários. A marca reformista, de acordo com essa opinião, esteve presente desde sempre no PT. Faz sentido, até levando-se em conta a gênese do partido, sindical, baseada na negociação com o patronato. O grande problema é que, sem ideologia, surge a esquerda das "boas intenções", baseada apenas em um pouco firme altruísmo personalista. E o perigo constante de o PT sobreviver no governo simplesmente pelo gosto do exercício do poder. Em termos de governo, nesse quadro pouco muda. Se alguma coisa mudou foi o próprio sistema, com uma burocracia mais profissional e, por que não dizer?, mais eficiente. Mas isso é um fenômeno histórico e até mundial. A eleição de Lula quase nada colaborou nem vai colaborar para tais "aperfeiçoamentos" do modelo. É mais do mesmo, com uma pitada de mito, o mito do barbudo com currículo impecável e com boas intenções. Pois é, esse negócio de política é complicado.