setembro 20, 2003

Consumidor
"Boa tarde, senhor Paulo. Aqui quem fala é o Emerson, do atendimento personalizado Unibanco em Curitiba. O seu nome foi indicado como sendo o de uma pessoa idônea [?]. Atualmente, qual o seu ramo de atividades?". "Estudante". "E atualmente o senhor tem alguma espécie de rendimento fixo?". "Não, não... não tenho". "Alguma mesada, alguma coisa?". "Não, não...". "E fora o rendimento fixo, teria outra fonte de rendimentos?". "Não, não...". "Então eu só gostaria de convidar o senhor para conhecer alguma de nossas agências aí em Londrina, certo? Uma boa tarde". Tá vendo? Não é tão difícil. Podia durar um tempão e foi só um minuto. Acho até que iria demorar mais se eu tentasse convencer o cara que não podia falar com ele agora. E além do mais, se dissesse isso, ele ia voltar a ligar.

setembro 19, 2003

Falando em Platão, tem o lance da caverna. [aqui tinha um texto emocional, queu apaguei por motivos óbvios; só se salvou o seguinte trecho]: (...) pode ter sido porque tava rolando Supertramp, a ex-banda do Oswaldo Montenegro (antes dele partir pra carreira solo).
Na conta de telefone desse mês aqui de casa consta uma chamada pro Afeganistão (é sério). Custou 4 cruzeiros - como diz o outro -, duração de um minuto. Difícil vai ser encontrar o responsável. Vontade de discar o número que aparece na conta e escutar o que tem do outro lado.

setembro 18, 2003

rés do chão
Quanta filosofia. O clima por aqui tá denso, denso hein? Ontem eu fui no Jota (um boteco legal que tem ali na João Cândido, logo depois da JK) com o Renatão e perdi uma melhor de nove derrubando a branca no buraco. O jogo já tava na quinze e a fatura acabou 5 a 4. Depois joguei mais três fichas com um malabarista conhecido do Renato ("conhecido do Renato" é redundância?). Não sei por que ganhei de 2 a 1, o cara não errava bola. Diz que vive de jogar malabares pra cima quando o sinaleiro fica vermelho. Fatura, segundo o tal, uns 600 por mês. E trabalha (?) só de terça a sexta, umas duas ou três horas por dia. Bebi pinga pra cacete ("bebi pinga pra cacete" é pleonasmo?) e fiquei zonzo. Desci cambalendo praquele bar que fica perto do Zerão e de lá fui levar o Renatão na casa que tem uma árvore que dá gato. Na ida cortei caminho por uma viela em que não passa carro. O automóvel passou por cima de um meio-fio mais saliente e fez um barulho estranho embaixo [tinha que ver se estragou]. No final da viela tinham blocos de concreto pra impedir a passagem - cortei por cima do morro e saí na Leste-Oeste. Fiz mais uma conversão proibida, deixei o Renatão e só fui dormir já eram cinco e meia da madrugada, bêbado bêbado. Acordei às sete e meia meio fugido, tinha que fazer uma entrevista de manhã. Acho que se tivesse dormido à meia-noite eu não tinha conseguido acordar tão cedo. Cheguei na casa do entrevistado meia-hora antes do combinado, mesmo depois de me perder na rodovia. E não dormi à tarde, não senhor. É foda.
Vejo uma caloura do segundo ano diagramando uma pãgina ao meu lado. Ela parece feliz com isso, mas provavelmente está de saco cheio daquela bobagem. Eu as vezes tenho saudade de fazer essas coisas, diagramar páginas, agente fica ali sentado feliz por estar fazendo alguma coisa supostamente útil, quando na verdade ficamos pensando em alguma coisa muito mais interessante e divertida. As vezes é bom fazer coisas que não exigem nenhuma capacidade de raciocínio.

Pensando bem, isso tudo é uma grande hipocrisia. Nós temos que parar de fingir que estamos fazendo alguma coisa supostamente útil e pensando em outra mais interesante e mais divertida. Precisamos simplesmente fazer alguma coisa mais interessante e divertida, sem tentar enganar ninguém.

setembro 16, 2003

Primeiro foi ir de carona, saímo de Londrina no sábado de manhã e chegamos em BH na terça a noite. Depois chegamos na pousada em Betim, eu e o Freud. Ela ficava em lugar completamente isolado, no meio do nada. Depois a viagem se resumiu em três grandes eventos: Ouro Preto, que foi uma balada de umas 78 horas mais ou menos (agente perdeu um pouco a noção de tempo). Ficamos perambulando pela cidade, de balada em balada. Depois foi o show do Bezerra da Silva, que foi do caralho! E tudo terminou com uns shows esquisitos de umas bandas aí do Brasil. No meio de tudo isso ainda teve umas caminhadas gigantes no centro de BH, uns botecos, o fumódromo na PUC e o Mercadão. Foi um mês de balada em quatrio dias. Isso tudo fora o que eu devo ter esquecido.

setembro 15, 2003

Bloqueio. Parou tudo na minha cabeça, as idéias tão trancadas dentro do Palácio la Moneda e se recusam a sair. Já cerquei o prédio mas elas disseram que não vão se entregar com vida. Foda é que junto com elas tão a minha inspiração e a minha disposição de trabalhar. Mandei ultimato e até proposta de acordo e elas continuam irredutíveis. Problema de ter idéias rebeldes, que não vêm quando você precisa delas. Meu medo de invadir é que elas acabem morrendo mesmo; aí fode de uma vez. Esse negócio de ter que fazer matéria é complicado. Artista cria quando tem inspiração; tem uns que ficam um ano sem fazer nada, crise de criatividade. Mas pra fazer reportagem tem que criar todo dia (pelo menos se quiser fazer alguma coisa decente). Elas (as idéias) fizeram o lead de refém e parece que não vão entregar. O lead não sai de jeito nenhum. Até estenderam uma faixa nas janelas de cima do palácio, me zoando: "esquece isso. vai pro bar, bebe alguma coisa".
Borracho
Hoy estoy muy, muy cansado. Venga mañana. [S'il vous plait]